Parece que já se disse, já se escreveu e já se leu de tudo sobre o caso do micro vestido na UNIBAN. Então, escrevo sobre o óbvio, mas ainda assim escrevo...
Vivemos sob o signo da vulgaridade e da violência. Meninas com umbigos à mostra, supostamente, porque há um piercing ali colocado. Meninas com decotes generosos, costas de fora... normal?!
Sintonizam-se emissoras de rádio AM e FM de qualidade duvidosa e o que se ouve: ritmos frenéticos, excitantes e letras vulgares, em que, especialmente, a mulher ocupa o espaço da transgressão, ela é vaca, eguinha, cadela, não vale nada... sem contar outros termos bem mais pejorativos que ora são explícitos, ora ficam subentendidos, mas a imaginação do brasileiro é fértil e...então, são dispensadas as explicitações devidas.
Violência? A violência está em casa, no pai que bate na mãe, na mãe que bate no filho, no filho que bate no cachorro...é uma lógica cruel! A violência está no trabalho: se você representa obstáculo para a minha ascensão profissional, lamento, você se torna meu inimigo e eu uso, sim, eu uso “todas as armas” letais e não letais, difamatórias, mesquinhas para derrubá-lo.
A violência está na escola e... como está!!!! A primeira violência é produzida por aquele professor que, no meio da algazarra dos seus alunos, grita: “Eu vou cobrar isso na prova”, incapaz de preparar uma aula atraente, ele se vale do poder para intimidar. Tudo bem, você pode argumentar que o professor também é vítima da violência e eu até ouso concordar! Agora, me responda: eu conclui o curso de graduação em 1997, optei pela docência no magistério público em 2000 e eu sabia na “m...” que estava entrando, então, eu sou adulta e, portanto, responsável pelos meus atos! Se eu não aceitasse as regras do jogo, eu não deveria ter entrado. Vale a mesma lógica para os demais professores (ou não)? O aluno não tem culpa da nossa opção, em consequência, ele não merece ser o nosso “saco de pancadas”!
Ainda é preciso refletir sobre o ensino superior. Supostamente a elite intelectual está em cursos das universidades públicas, restando, pois, “o resto” para as universidades particulares. Eu lecionei em duas instituições particulares. Na primeira, todos eram pessoas simples, vestiam-se com certa uniformidade (calça jeans, camiseta, tênis), independente do curso. Na segunda instituição...caramba! Eram saltos altíssimos, loiras oxigenadérrimas...roupas totalmente in, vigorava a cultura do parecer, pouco importava o ser!
Do ponto de vista profissional, na primeira instituição, eu era, eu estava professora, eu tinha status de professora e era respeitada como tal. Na segunda instituição, eu era uma balconista que vendia conhecimento. Ah, e não podia discordar do diretor, da assessora pedagógica, da professora mais velha do curso, da professora mais nova do curso, porque afinal, todos faziam parte de uma elite decadente de uma cidade decadente!
Tudo isso para pensar na moça da UNIBAN. Ela é resultado de uma sociedade que estimula o erotismo, a sensualidade. Se assim o for, é normal que ela use um micro vestido, opte por maquiagem que ressalte seus traços. Ou, a erotização/vulgaridade apenas é válida para os outros, aqueles que não convivem conosco, não cruzam o nosso caminho?
Uns “bichinhos mal adestrados” manifestaram-se diante do micro vestido, da maquiagem, do rebolado, das ancas salientes, dos brincos (vai saber quais são os fetiches alheios!). Normal ou não é normal que as pessoas externem suas emoções? Se bem me lembro, existe até uma corrente da pedagogia que afirma que o aluno precisa exteriorizar seus sentimentos, que é necessário incentivá-lo a tal! Normal, portanto. Até mesmo a elite pensante atenua este tipo de comportamento. Ou a teoria só é válida para crianças e adolescentes?!
Se ladrões, corruptos, mentirosos não são presos. E estas mesmas criaturas têm o direito em CPIs de ficarem calados! Se assassinos, estupradores são presos e, em seguida, liberados por habeas corpus para aguardarem sentença em liberdade ou o que é pior: “progridem” para o regime semi-aberto e fogem!
Se as instituições de ensino superior tornaram-se lojas de departamentos em que o suposto acadêmico adquire um diploma; se os profissionais que atuam nestas instituições, em geral, são submetidos a assédio moral...
Pergunta: por que a repercussão?
Ah, claro! Ela foi expulsa!!! Peraí, o que tem se visto com a maior naturalidade nos últimos tempos? A renúncia ou “a blindagem” de políticos corruptos, isto é, dito de outra forma: “joga-se o lixo para baixo do tapete”. Então, por que a tal UNIBAN não pode fazer o seu jogo cênico?
Não sei, mas desconfio que tudo isso é fruto de uma sociedade gravemente doente e, tenho com os meus botões, que o paciente, na UTI, não tem a medicação necessária (coisa que, aliás, é normal nos hospitais do SUS!). Mas a rainha da Inglaterra deve ter gostado de conversar com “o cara” e isto faz a alegria e a felicidade geral da nação...
Não, o Lula não é culpado por tudo de errado que acontece nesta nação, mas ele é um exemplo lapidar do "jeitinho brasileiro"!
DEM procura PDT e PTB para encorepar Frente Ampla Gaúcha
47 minutos atrás


















